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Maze Runner: A Cura Mortal – Filme decepciona fãs

Murillo Costa | 21/jun/2018

Maze Runner: A Cura Mortal conseguiu ser uma adaptação pior do que o segundo filme da série.

O filme Maze Runner: A Cura Mortal chegou aos cinemas brasileiros no dia 25 de janeiro de 2018. Depois da mudança drástica e nada fiel aos livros que aconteceu em Maze Runner: A Prova de Fogo, a confiança do público no terceiro filme acabou por completo. As consequências desses eventos já nos anunciavam que muito mais seria alterado no terceiro filme. Isso refletiu diretamente nas bilheterias.

Nos Estados Unidos, Maze Runner: Correr ou Morrer teve uma arrecadação em sua estreia por volta dos US$ 32,5 milhões. Já Maze Runner: A Cura Mortal permaneceu na casa dos, mais ou menos, US$ 24,1 milhões. O livro Correr ou Morrer ficou no topo dos mais vendidos do The New York Times por mais de 85 semanas! Todo esse sucesso literário foi sufocado por uma adaptação terrível – ou pela falta da adaptação.

Só avisando: há spoilers tando dos livros quanto dos filmes.

Os erros em Maze Runner: A Prova de Fogo

As mudanças na história de Maze Runner: A Prova de Fogo mudou sua categoria de “adaptação” para “filme homônimo”. Logo no começo, elementos, personagens e fatos importantíssimos para a trama foram alterados por completo. Somos apresentados a um Aris inútil e nem sequer nos mostram a Rachel – ambos pertencentes ao segundo labirinto. Essas duas personagens fazem parte da trama principal e são fundamentais para que ela aconteça nos livros. Todo o teste frenético que os Clareanos enfrentam no deserto é completamente descartado – mais de 80% do livro.

Além disso, vemos uma Teresa que não consegue ser tão dúbia quanto precisaria ser. Porém, a pior mudança que os roteiristas de Maze Runner: A Cura Mortal fizeram foi transformar Brenda em uma não imune ao fulgor. Isso afetou mortalmente a saga no cinema.

Nos livros, Brenda e Jorge são imunes ao fulgor e não existe uma cena em que ela é infectada por algum crank. Muito menos algo que mostre que o sangue de Thomas fornece uma cura: na história original, não existe uma cura. Nunca. E isso faz a qualidade da história naufragar no terceiro filme.

Até onde uma adaptação pode ir?

Uma adaptação é o ato de ajustar uma coisa a outra. No cinema, uma adaptação é o ajustar de um texto originalmente feito para exposição em mídia diferente, como num livro. O fruto desse ato é um roteiro adaptado, onde podemos enxergar claramente que a história original ganhou uma dinâmica diferente para ser exibida nas telas, mas preserva sua essência original do livro.

Simplesmente não vemos isso em Maze Runner: A Cura mortal.

Se os roteiristas pegaram o escrito original e o transformaram de modo que o público não consegue mais identificar os pontos-chave, não há uma adaptação. Há uma história inspirada, homônima, mas que nada a tem a ver com o texto original.

Sabemos que é impossível adaptar um livro com 100% de igualdade para um roteiro de cinema. E não esperamos que isso aconteça. Mas existe a linha principal da história que todo fã deseja ver em um filme com clareza suficiente para que ele continue se identificando com a história.

No terceiro filme de Maze Runner, não conseguimos mais identificar a linha geral do livro, o que é altamente frustrante para os fãs dos livros.

O que destruiu Maze Runner: A Cura Mortal

Incoerência na cena de abertura. O filme começa com uma sequência de ação em que Thomas e os outros Clareanos, ao lado de Brenda e Jorge, perseguem um trem do CRUEL de transporte de crianças cobaias. A esperança do grupo, além de salvar quantas crianças imunes conseguirem, é resgatar Minho, o amigo levado pelo CRUEL quando Teresa traiu o grupo.

A ação e dinâmica da cena são ótimas, mas algo sem lógica acontece. Enquanto Thomas percorre os vagões em busca de Minho, esse último rapaz começa a gritar de modo gutural, quase animalesco. Thomas julga que ouviu o grito de um vagão, eles o desengatam do trem e o levam de berg para o esconderijo do Braço Direito.

Quando abrem o vagão, Minho não está nele, mas Aris e Rachel. A questão é: porquê Minho não gritou palavras inteligíveis, uma vez que ninguém estava drogado? E como Thomas poderia pensar que o grito vinha de perto enquanto o vagão de Minho estava distante? Não é um imenso problema, mas ficou muito forçado.

Brenda e sua infecção. O fato de em Maze Runner: A Cural Mortal Brenda não ser imune é o golpe de morte no filme. Originalmente ela e Thomas deveriam terminar juntos. Quando a vimos ceder ao fulgor, a maioria dos fãs concluiu o óbvio: uma cura deveria aparecer nos filmes ou a menina morreria.

Se há uma cura, o mundo nos filmes poderia ser salvo. Teríamos um final feliz. No decorrer do terceiro filme, Brenda não apresenta mais sinais de doença, ou seja, o sangue de Thomas a curou. Bastou apenas fracionar uma parte do sangue do rapaz e aplicá-lo a uma pessoa doente – o que o CRUEL poderia ter feito desde o início e não precisaríamos de labirintos, desertos e mortes.

Uma corporação científica nada inteligente, não é? Isso nos leva aos próximos problemas incoerentes.

Surge uma cura. Teresa consegue furtar uma amostra do sangue de Thomas e levá-la para a cede do CRUEL a fim de examinar os efeitos salvadores do rapaz. E o inadmissível para os fãs dos livros de Maze Runner acontece: a cura para o fulgor é descoberta.

Nos livros, a Dr. Paige finalmente reconhece que é impossível uma cura e conduz os jovens imunes para um lugar isolado do planeta, onde eles poderão formar uma nova civilização. em Maze Runner: A Cura Mortal, a cura surge no pior momento possível, do qual falaremos logo em seguida. Isso acontecer põe em xeque a fidelidade à obra original, alterando sua essência e assassinando a voz criadora do escritor. Mas a cura não salvaria o mundo? Sim, se ela pelo menos tivesse sido usada no filme.

A morte de Newt. Ele é um dos personagens mais amados da saga e o momento que quebra todo leitor é a sua morte de clemência executada por Thomas. Newt era um dos Clareanos, mas era um indivíduo controle – um não imune colocado nos testes para que novos resultados pudessem ser observados.

Nos livros, quando ele se contamina e sabe que não terá mais chances, escreve uma carta para Thomas, pedindo que este o mate quando o momento chegar. O momento chega e é o mais emocionante de toda a saga. Thomas executa seu amigo satisfazendo a vontade deste, entregando-lhe com clemência o fim à sua dor.

Em Maze Runner: A Cural Mortal, não existiu qualquer construção para Newt. Ele apenas surge infectado e, quando não há mais volta, ele começa a brigar com Thomas, que o acerta acidentalmente com uma faca, matando-o.  Isso acontece enquanto Teresa grita a plenos pulmões que conseguiu encontrar uma cura.

Teresa, Thomas e o final. Depois de matar Newt por acidente, Thomas se entrega a Teresa para que ela possa produzir uma dose efetiva da cura. A dose é produzida e, enquanto os dois fogem do prédio do CRUEL que está desmoronando, Teresa fica para trás e morre no desabamento.

A morte da garota era esperada, mas no filme acabou sendo um desperdício de personagem. Com a Dr. Paige morta (o que acontece momento antes), Teresa se torna a única capaz de produzir mais doses da cura. E, já que os roteiristas insistiram em fazer uma cura, que a usassem então!

Ao contrário, no final do filme, quando todos os sobreviventes estão seguros em um lugar isolado no planeta, Thomas termina segurando o frasco da cura na mão – a chave para salvar a humanidade inutilizada para sempre.

O que podemos salvar de Maze Runner: A Cura Mortal

Apesar dos pesares, Maze Runner: A Cura Mortal tem ótimas cenas de ação, com sequências bem pensadas e desfechos interessantes. A qualidade do suspense não caiu.

Os Clareanos escreverem na rocha tanto seus nomes quanto os do que morreram, quase na última cena do filme, é um momento muito bonito. Além disso, a cena de morte de Teresa também conseguiu ser emocionante – a expressão incrédula de Thomas diante da morte da amiga, mesmo que traidora, foi bem comovente.

Se somássemos o talento da produção do filme em criar sequências de ação com a fidelidade ao texto original, provavelmente teríamos filmes impressionantes. Quer saber mais sobre Maze Runner? Confira a resenha de Código da Febre, postada no Central Autoria.

Sou o autor de Os Renegados, distopia pós-apocalíptica, editor do Central Autoria e locutor do Autoria Podcast. Também sou parceiro da saga de fantasia épica A Crônica Esférica. Webdesigner por formação, procuro compartilhar meus conhecimentos em Marketing Digital com outros escritores para que possamos formar juntos nossas carreiras.
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